10 abril 2010
Quanto tempo...
Derramada está minha semente e a carrasca ausente o vento a levou. O que é, então, o amor? Não sei, ainda não vi seu trapo de face, só um esboço de classe verão. Meu chão... O vento que a trouxe foi o mesmo vento que levou consigo o ar da paixão... E pra mim... E pra mim? Restou a tempestade da solidão. Quanto tempo esse vento tem? O vento, o fogo, o frio... O rosto. A face queimosa do gélido vento. A semente narcisa que ultrapassa seu tempo, preferiu ousar semear em outro espaço. Que então vá. Mas para nunca mais voltar. Quanto tempo durará esta minha decisão?
Quanto tempo o meu tempo tem? Será a resposta para minha insatisfação.
26 fevereiro 2010
A dama do samba.
Que me dê a sua mão.
Vou te levar pra morar no meu barracão
Que eu mandei banhar em ouro.
Quando você chegar
Vou fazer um tapete de flores.
Vou encher a casa de cores.
Vou fechar o botequim.
Você vai ser...
A rainha do meu país.
A minha imperatriz
A dama do meu samba.
Eu vou te dar
Uma fita amarela
Com três poemas meus nela
Pra você fazer o que quiser.
Eu vou fazer de você
O meu samba enredo
Te chamando de cabrocha.
Falando sempre bem do teu nome.
Vou sair da boemia
E te fazer uma filha
Pra você chamar de família.
Vou te fazer um cafuné, Te dar a boa vida
22 janeiro 2010
Dádiva
Tenho uma pedra que gostaria que fosse uma ave.
Planar pelo infinito e navegar pelos mares.
Mas ela é muito dura e não planaria por muito tempo.
E como não sabe nadar e pesa mais do que o ar,
Cairia no fundo do alento.
Perguntei a ela, então, se gostaria que eu a carregasse.
Levaria ela ao céu e nadaria com ela em outras faces.
Ensinaria como voar e como velejar por entre águas e molhares.
Ela me disse que não entendia o que eu estava a propor.
Pois não era ela que não sabia voar ou nadar,
Sou eu que não sei onde estou.
Pois tudo que existe tem seu trajeto,
Uns como folha outros como inseto.
Uns pra sonhar outros para fazer.
E assim como tudo, ela também fazia o seu dever.
Ensinava os apreçados a cair e os humildes a entender,
Que não é quão dura seja uma pedra
É sua bela forma de proceder.
E assim eu compreendi, que não é pena que devo ter,
É a certeza de que não é a forma do objeto,
Nem qual seja o seu trajeto,
Que irão influenciar em seu prazer.
É a consciência de sua dádiva,
E como aplicar isso em seu viver.
15 janeiro 2010
Egaiole-se em suas asas
Pense no pássaro que voa livremente pelos ares de sua razão animal; manobras claras de liberdade irracional, apreciando o que de mais belo tem na natureza. Pousa em seus descansos, desfruta de seus prazeres instintivos; alça vôos do ápice de sua vontade maquinal. Predador por necessidade e reprodutor oriundo; sua única vaidade: Seu canto.
Sem medo e sem limitações espaciais. Simplesmente um voador, planando no céu de seus devaneios reais, a mercê da fluidez do rio do tempo.
Agora imagine este mesmo ser sendo aprisionado, tolhido de suas intrínsecas necessidades. Não podendo mais gozar livremente de sua condição como ser vivo. Este que nascera com sua raiz já predestinada a uma certa prisão, acaba de ser decepada todas as chances de desfrutar do tempo restante que lhe compete como ser vivo e da liberdade condicionada que lhe cabe.
Agora se coloque no lugar deste ser. Ao menos tente sentir o ar de hostilidade que agora circunda sua vida. Isso é vida?
Não vivo como o pássaro – que fora capturado e engaiolado. Não me aprisiono e nem permito ser. Não que ele tenha culpa por ser capturado, afinal ele é irracional. Mas e nós, seres humanos, racionais, por que nos deixamos aprisionar por gaiolas sistêmicas? Não temos razão, moral, ética, dentre outros palavrórios que o homem inventou para classificar atitudes que deveriam ser tomadas e/ou que são tomadas? Acho que já existem muitas palavras e pouco uso prático e benéfico delas. Palavras o vento leva, atitudes o tempo registra. Alçarei vôos para não me coagirem a me engaiolar. Minha próxima parada? O céu já não é mais o limite. Não tenho paradas. A felicidade – dizia Margaret Lee Runbeck, e eu completo – assim como a liberdade não é uma estação a qual chegaremos e sim uma forma de viajar. Tente viajar, livremente, e não estagnar em uma estação.
22 dezembro 2009
A Minha dor.
De angustias mil.
Sinto em mim o canibalismo
Do mundo voraz que me come
Pra tanto sofrer.
Tenho um coração sem limites
Um tempo que não é meu tempo.
Um futuro de um passado.
Tenho em mim o pessimismo da vaidade.
Eu nada mais sou
Que um aproveitador da minha
Dor de cotovelo, que espera o Amor
Como um poeta espera a melhor poesia da dor.
A minha dor é assim.
Um menino aqui e o Amor ali.
Umas brigas nas noites
Um porre no botequim.
04 setembro 2009
"Artista do convívio e Exagerado"

Um certo dia, ainda naquela fase de pré-adolescente pra adolescente eu andava meio "Down",meio apaixonado. E o engraçado é que eu tinha ótimas chances com a menina, mas tinha medo de chegar até ela e dizer o que eu sentia. E a única maneira de chamar a atenção, foi eu sendo eu mesmo (palhaço, ladrão de cenas, libertino, etc.) mas por incrível que pareça sempre me faltava algo além de coragem de chegar, acho que era medo de me prender em alguém ou de ter alguém e ser traído, sei lá!O fato é que eu não conseguia viver preso.
No mesmo ano eu comecei a ter mais afinidades com a obra desse Cara chamado de CAZUZA, pra alguns um anjo rebelde, um poeta de sua época, etc. Pra mim ele significou a pura liberdade que eu tanto cobiçava, e, desde então eu cada vez mais fui me aprofundando na história desse maluco e sem medo de dizer eu encontrei uma forma de ideologia minha, que eu já tinha e que precisava ser reafirmada. E assim mais ainda fui levando a minha vida como ele levou a dele: na arte.
Eu sempre gostei das musicas dele, sempre o escutei desde moleque, mas fique doido quando eu comecei a beber e endoidar nas noites, parece que a mesma pressa que ele tinha de viver eu tinha em mim, mesmo sem querer imitá-lo já o imitando. E junto com tudo isso veio também uma vontade enorme de querer me expressar e daí em diante eu nunca mais parei de escrever, e, tive cada vez mais motivos para escrever. E assim até hoje ele é o artista do meu convívio e quem me deixou mais exagerado.